Este post é o fim da "triologia" sobre reflexões de Páscoa.
Como disse ao final do último post, não podemos perder o que nunca tivemos.
Quem me conhece sabe que "perdemos" uma vida no início deste ano, o que nos foi, e ainda é, muito doído. Sofri eu, minha esposa e minhas filhas.
Cheguei a pensar que Deus havia nos tirado uma criança, mas na verdade, tinha era nos dado a benção de conviver com aquela vida no ventre da Letícia por tempo razoável para aprendermos com ela e melhorarmos como pessoas.
Aquela vida nunca fora nossa, nunca nos pertenceu. Na verdade Deus nos deu o privilégio de tê-la, ainda que humanamente pensando, por curto espaço de tempo. Nuca a perdemos!
E Deus, em sua bondade infinita, continua a nos privilegiar com pequenos mimos. Tivemos a notícia de que amigos nossos foram brindados por Deus com uma nova vida e que sua família crescerá.
Ficamos felizes por eles e nos sentimos também agraciados por este momento. É como se Deus, na alegria dos nossos amigos, também nos presenteasse com esta vida. Toda vida é dom de Deus e é, na essência, para fazer o mundo melhor.
E nosso mundo, após a notícia, já está melhor!
Quando perdemos nossa criança, diante da tristeza de minha filha mais velha (7 anos), restou-me abraçá-la, como a dividir a dor que sentíamos, e dizer-lhe o que acredito: "Deus sempre guarda algo melhor para nós!".
Apesar da dor daquele momento e da dificuldade de crer nisto, depositei toda a minha pouca fé nestas palavras (que não era muita naquele momento). Deus, que é misericordioso, respondeu-me: "EU não faço pela metade!".
A notícia desta nova vida confirmou a promessa. Não, não é nosso o filho que vai nascer, mas a alegria de nossos amigos preenche o vazio deixado em nosso coração há um tempo atrás.
A felicidade daqueles que amamos pode sim ser nossa felicidade. Este é o segredo do Amor!
Deus cuida sempre de nós!
Como pai aprendo isto a cada dia quando minhas filhas me pedem coisas que "iriam mudar as suas vidas e fazê-las as crianças mais felizes do mundo" (sim, este é o argumento que usam) e nego este pedido. Não nego por ser um pai mau. Apesar delas não entenderem esta negativa, com minha "sabedoria" sei o que elas precisam e o que não é o momento de terem.
Deus, com sua sabedoria infinita, faz isto muito melhor do que eu. Me dá o que necessito e o que é bom para mim e não o que eu quero, apesar de muitas vezes pensar que perdi a chance "de ser a pessoa mais feliz deste mundo".
Trago esta reflexão porque também os discípulos não entenderam, em um primeiro momento, a morte de Cristo e a forma como Ele se conduziu até ela. Aproveite-mos esta Páscoa para refletirmos que nem o Filho de Deus escolheu o seu caminho, mas seguiu o Plano de Deus que conduziu à salvação do mundo.
Deus escolhe sempre o melhor para nós, embora muitas vezes não compreendamos!
Feliz Páscoa!
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